Está em andamento um trabalho conjunto entre o Sebrae Mato Grosso e o Centro Pastoral para o Migrante cujo objetivo é capacitar venezuelanos, preferencialmente mulheres, no que concerne à abertura de empresa e gestão de negócio para que possam atingir a tão sonhada independência financeira e passem a sobreviver sem o auxílio de instituições e pessoas.
A partir de uma entrevista social com 100 migrantes, foi feita uma triagem em que 60 se encaixam no perfil empreendedor. A primeira turma com 30 pessoas já começou a trabalhar participando de uma palestra de sensibilização. Agora vão receber consultoria individual.
Rosalina Rosa dos Santos, coordenadora do Grupo de Trabalho da Pastoral do Migrante, que atua diretamente na ação, explica que muitos venezuelanos eram comerciantes e empreendedores e que têm vontade de abrir um negócio aqui e prosperar, mas não sabem como fazer, não conhecem a legislação brasileira e nem o funcionamento do nosso mercado. “Esta é a primeira iniciativa de empreendedorismo com esses migrantes”, informa.
Uma das ações do Centro Pastoral para o Migrante é estimulam a formação técnica e profissional visto que este é um meio para promoção e integração dos imigrantes à sociedade. A meta é capacitar 150 imigrantes, até dezembro deste ano, sendo 90% venezuelanos e priorizando as mulheres.
O primeiro passo, explica Lorrayne Menezes, da Gerência de Relacionamento & Comunicação do Sebrae MT, foi fazer uma palestra de sensibilização sobre a importância de empreender de forma estruturada e dentro da legalidade.
Maressa Carvalho, da mesma gerência do Sebrae MT, que ministrou a palestra, complementa dizendo que explicaram em detalhes como se formalizar na categoria microempreendedor individual (MEI).
Estão sendo atendidos tanto migrantes abrigados na Pastoral e outros que já saíram da casa, mas que ainda dependem de assistência. A consultoria Comece pelo Sebrae, com carga horária de 2 horas, é feita em atendimento individual em um ponto de atendimento seguindo todo os protocolos de biossegurança – para os clientes em geral, esse atendimento é feito de forma online. Os migrantes que passarem pela consultoria poderão ser direcionados para outras soluções do Sebrae, conforme perfil e necessidade de cada um.
Franci Adeina Maureira, 32 anos, vivendo no Brasil desde novembro de 2018, é uma das participantes. Ela vende picolés em sua casa, no bairro Cidade Alta, mas a atividade não é formalizada. Disse que aprendeu muita coisa na palestra e que gostaria de abrir um negócio para vender salgados típicos venezuelanos, como arepas e empanadas. “Moro num lugar com bastante movimento, muitas empresas, comércio e não tem nenhum lugar que venda esse tipo de comida”, diz animada com a possibilidade.
Yaritza Isabel Delgado, 44, também sonha em trabalhar com os salgados típicos da Venezuela. Veio para Cuiabá em dezembro de 2019, mas teve que retornar ao país numa emergência e acabou ficando lá alguns por conta da pandemia. Retornou em agosto de 2020 e enquanto não monta seu empreendimento, faz tapetes de crochê. Ela conta que gostou muito da palestra e tem certeza que irá conseguir se formalizar a montar seu negócio. “Tenho muita confiança no meu trabalho”, diz. Experiência não lhe falta, durante nove anos teve loja do gênero na Venezuela.
