Um ‘baque’ na saúde colocou um ponto de interrogação na carreira de Fernanda Aparecida Godoy, que há menos de 6 anos tinha uma sólida atuação como gerente de agência bancária em Tangará da Serra (244km de Cuiabá). Crises de estresse acenderam o sinal de alerta e logo veio o diagnóstico: depressão e síndrome de Burnout (exaustão física e emocional, que leva a sentimentos de ineficácia e falta de realização). Não havia mais como manter a vida com aquela configuração. Da crise pessoal, surgiu a salvação num negócio que passava longe da realidade dela. Hoje, Fernanda comanda, cada vez mais satisfeita, a KD Meu Chip, focada na venda de acessórios para celulares, tablets, notebooks e que inclui assistência técnica especializada.
“Um amigo veio de Curitiba e falou sobre uma franquia de acessórios de celulares. Conheci, me encantei e usei a coragem para abrir uma loja em Tangará. Inicialmente, só havia eu e um técnico”, relembra Fernanda, que é formada em Administração de Empresas e também investiu em cursos de coaching. A franquia originária de São Paulo deixou de existir, mas a empresária conseguiu permanecer com a marca e fincou sua bandeira de forma definitiva no mercado local. Com um amplo espectro de produtos e serviços, Fernanda orgulha-se de dizer que atende clientes de todas as classes sociais. A qualificação dos seus colaboradores (já são 9 e o espaço físico foi ampliado), é um dos diferenciais da loja, cujos serviços já romperam os limites do município.
“Temos como clientes empresas de Juína, Diamantino e outros municípios, que nos enviam seus equipamentos com defeito para consertarmos aqui. Depois enviamos de volta em vans ou ônibus”, relata a empresária.
Ciente de que as demandas exigem cada vez mais capacitação, Fernanda constantemente utiliza-se dos cursos disponibilizados de forma online pelo Sebrae para manter a equipe pronta e interessada em aprender. E constantemente oportuniza treinamentos para os colaboradores. Considera ainda fundamental contar com funcionários que demonstrem cordialidade e respeito aos clientes.
“Nesse meio, é fácil encontrar o serviço mais barato, porém de qualidade duvidosa. Nós oferecemos produtos de qualidade, com 3 anos de garantia, nota fiscal e garantia de procedência”, exalta.
Fôlego na crise
A pandemia forjou todos os setores da economia a buscar rotas alternativas para a sobrevivência. No caso da KD Meu Chip, a rotina de confinamento, trabalho em home office, aulas online e lives, que passou a ser realidade para muita gente, favoreceu o negócio comandando por Fernanda. “É óbvio que o momento é de desafios, mas graças a Deus nossa loja manteve a vendas aquecidas, porque criou-se demanda por aparelhos como o ring light, usado na gravação de vídeos”, explica.
A empresária põe em primeiro lugar a busca incessante pela inovação. Para chegar antes da concorrência, ela estuda as novidades que surgem em outros mercados e não se desliga das redes sociais. Ela lembra de quando decidiu adquirir algumas unidades do brinquedo ‘spinner’ para vender, ainda que um tanto ressabiada.
“Não sabia se iria dar certo, era uma caixinha de surpresas por se tratar de um modismo. Mas a procura foi grande, chegou a ter fila de espera na loja”, relata, acrescentando que apenas a venda do tal brinquedo engordou o caixa da empresa em R$ 38 mil. Além de uma dose de coragem, aliada à busca pela qualificação, Fernanda deixa como conselho a pessoas interessadas em empreender a preocupação com as pesquisas de mercado. “É necessário estudar, verificar se o mercado não está saturado, oferecer o que os outros não oferecem”, completa.
