Empresários da cadeia produtiva da piscicultura em Mato Grosso estão se movimentando para retomar um lugar de destaque da produção nacional de pescado comercial. Para tanto, precisam resolver várias questões e eliminar alguns gargalos que estão travando o desenvolvimento da atividade no Estado.
Um deles é a destinação correta dos resíduos gerados em frigoríficos e unidades de processamento de pescado. Esse foi o motivo da visita técnica à indústria Reciclagem Várzea Grande, ocorrida na manhã de quarta-feira, 02/02, reunindo empresários, técnicos, representantes de órgãos e instituições públicas ligadas ao setor, como Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso (Sebrae MT), secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Desenvolvimento Econômico (Sedec), Agricultura Familiar (Seaf), Associação dos Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Aquamat), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande.
A visita organizada pela Sebrae MT é uma das ações da atividade de Desenvolvimento Setorial dos Territórios – Agronegócios, que inclui a piscicultura, apoiada pelo Sebrae desde 2005, Segunda a gestora Valéria Pires, a intenção é fazer parcerias e buscar soluções para os problemas enfrentados pela cadeia. “Quem dá a cara a tapa quer trabalhar de forma legal e o Sebrae apoia os pequenos negócios e trabalha a sustentabilidade olhando para todos os seus eixos, ambiental, econômico e social”, disse aos participantes da visita técnica. Ela lembrou ainda que são empresas de diferentes portes, mas com problemas muito semelhantes e um dos mais prementes é a busca de uma solução para a destinação dos resíduos. Essa, é uma das ações do Fórum da Piscicultura de Mato Grosso, que vem desde 2018 levantando os problemas da atividade e buscando soluções que tragam melhorias para o setor.
Criada em 1981 por Adelino de Souza Leite Neto, na Água Vermelha, no centro de Várzea Grande, e operando desde 2002 na atual unidade, localizada na Gleba Formigueiro, a Reciclagem Várzea Grande integra o Grupo BR Render, um dos maiores do país formado por 10 empresas espalhadas por seis estados, sendo 2 em Mato Grosso (a outra fica em Juína).
Na planta de Várzea Grande são processados resíduos de bovinos, aves e suínos e a intenção é implantar maquinário adequado para o processamento de resíduos de pescados. Daí a importância de se aproximar do setor produtivo para dimensionar exatamente o tamanho da produção para planejar os investimentos que, segundo um dos sócios, Pedro Bittar, é bastante alto.
A empresa com mais de 700 colaboradores (em MT são mais de 300) conta com 220 caminhões para a coleta dos resíduos em frigoríficos, açougues e, mais recentemente iniciou a coleta de óleo em restaurantes. “O volume ainda é pequeno, mas nós temos compromisso com a sustentabilidade e destinação correta dos resíduos animais. Nós não somos poluidores”, ressalta Bittar, que também é presidente da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA).
A unidade de Várzea Grande tem capacidade para processar 1 milhão de toneladas de resíduo animal por dia, mas atualmente processa cerca de 400 toneladas/dia, transformados em farinha de carne e osso 40%, farinha especial 60% e farinha de sangue, além do sebo que é comercializado para a indústria de produtos de limpeza, higiene pessoal e cosméticos.
O grupo exporta para vários países, entre eles Cingapura, Malásia, Bangladesh, Vietnã Venezuela, Panamá, Nigéria. Segundo Bittar, a partir de julho vão vender também para a Rússia.
