Para se diferenciar e continuar empreendendo em meio à crise que a pandemia da Covid-19 provoca, a educadora física e proprietária da Cortatraining, Tamires Cortat, teve que rever o seu negócio. Com dois espaços físicos, em Cuiabá, ela precisou abrir mão de um e colocar em prática um desejo que tinha desde de 2018.
Ela explica que o seu negócio, antes da pandemia, oferecia treinamento físico, fisioterapia e um curso de ‘educação e saúde postural’. “Tivemos que mudar esse nome. Mas essas turmas são um curso de oito semanas de aulas, que é o que a gente está fazendo online, agora. O objetivo é ensinar as pessoas a aprenderem a aliviar a sua dor e relacionar essa dor aos aspectos emocionais com o movimento e todas as dificuldades que a gente tem e cuidar da saúde de um modo geral”.
A educadora física afirma que ela já queria transformar esse curso presencial em um formato online, mas uma outra vontade acabou falando mais alto. “Já tinha olhado o Sebraetec, para ter subsídios e tudo mais. Ao mesmo tempo, eu estava pra decidir entre abrir uma nova sala e o Sebraetec e aí eu acabei optando abrir essa nova sala”.
Mas com as adversidades que o Novo Coronavírus têm causado nos pequenos empresários, Tamires também precisou fazer outras escolhas difíceis: “acabei fechando uma das salas que eu tinha, estou com uma só, que é o espaço maior, com 100 metros quadrados”. Além disso, ela teve que reduzir o número total de pessoas da empresa, que eram de cinco, e hoje são duas; a Tamires e a sua assistente.
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A primeira tentativa
Com o objetivo de não perder tempo, logo na primeira semana de quarentena, quando Cuiabá fechou o comércio e serviços, no fim de março, o curso já estava disponível, por um valor acessível. “Só o que que eu fiz pegar todos os documentos que eu tinha, já estava tudo em PDF, os planos de aulas já tinham sido feitos. Eu não ia ter tempo de editar, queria que esse curso tivesse disponível assim que entrasse em quarentena. Então, eram vídeos de 10 minutos cada módulo, coisa rápida sem edição, sem cortes e a gente subiu esses vídeos para a plataforma em dois dias”, conta Tamires.
Ela ainda comenta que uma das coisas que as pessoas reclamavam era que o seu serviço sempre foi muito caro, por causa do atendimento personalizado. “Então, pensei que por um valor mais em conta iria chover de vender, o povo vai ficar sabendo vai todo mundo comprar! Mas gente conseguiu vender só para 10 pessoas”, explica a educadora física.
Agora vai
Mesmo com os problemas do período e a frustração do curso online, Tamires não parou de dar aulas aos seus alunos de forma personalizada. “Eu não deixei de atender eles nenhum dia. Eu fechei o espaço na sexta, na segunda-feira já estava atendendo online”.
Ao mesmo tempo, percebendo que o problema do curso online não era preço, ela decidiu remontar o curso. “Aí eu sentei com a minha assistente e disse ‘vamos estruturar o curso, teremos tantos módulo, de tamanho tal, vou oferecer tal coisa’. Aí a gente montou tudo de novo, com o nome ‘Gestão e Movimento’, regravamos tudo, o que deu muito trabalho e agora a gente está no aprendizado de conseguir mais seguidores para poder fazer essas vendas”.
A educadora física diz que logo no lançamento do curso remodelado, foram feitas sete vendas, mas o que mais contribui é o retorno positivo que ela recebe dos participantes. “Todo mundo que fez o antigo curso, os outros alunos que praticaram no presencial, elogiam muito. Falam que não têm mais dores e quando a dor aparece eles sabem o que fazer”, afirma Tamires.
O trabalho hoje
Agora, a rotina da Tamires é montar conteúdo para as redes sociais, dar aulas online e gravar depoimentos, dos antigos alunos, para divulgar nas redes sociais e explicar melhor o que a Cortatraining faz. “Geralmente, no período da manhã eu estou produzindo conteúdo, fazendo posts e no período da tarde eu dou aulas online. Segundas, quartas e sextas são dias cheios, que dou aula das 13h às 19h e tudo online”, esclarece.
A agenda de horários da Tamires não parou, mas sofreu alterações por causa do momento. “Eu posso dizer que tive um aumento de trabalho. Porque o número de alunos que cancelaram as aulas, que foram entre seis e 10, foi menor do que os 22 clientes conquistados nesse período de quarentena”, analisa a educadora física.
Apesar disso, a profissional reflete sobre a gestão da empresa e do tempo. “Só que, depois que eu vi, que o atendimento online por si só, assim, comigo dando aula para os alunos que já estavam, não iria resolver os problemas de contas. Contado com os alunos que pararam, aí foram muitos problemas. Eu acabei assumindo alunos do outro professor, que eu tive que dispensar. Então, a minha quantidade hora/aula semanais aumentaram, só que ao mesmo tempo eu tive que organizar horário para gravar, editar vídeo, fazer post, fazer cronograma”.
E com isso, o corpo e a mente sentem a pressão do momento. “Como ainda tem muita coisa nova, é cabo que você não conhece, é o cartão de memória do celular que acaba o espaço, é o computador que acaba o espaço, aí não dá certo e N coisas que não dão certo porque você não está acostumado a fazer. Isso gasta a sua energia mental e física de uma forma incrível, pois são muitas coisas novas para serem feitas”, afirma Tamires.
Marketing digital
Sobre isso, Tamires reforça a importância para a empresa. “ A gente não fazia isso tão naturalmente porque tinham outras formas de nos manter vivos. E hoje em dia não, isso já é uma escolha de sobrevivência. Como eu não tenho dinheiro para poder pagar um especialista, a gente vai procurando na internet, vai procurando várias e várias formas”, relata.
Ela ainda ressalta que pensou em desistir. “Confesso, eu tive um pico de estresse que falei ‘chega, não quero mais, não quero, desisto, não vai dar certo! Tudo o que a gente está fazendo está dando errado’. Mas Tamires fala que é preciso levar em consideração que está todo mundo meio que a flor da pele e que outros acontecimentos pessoais a levaram a ter esse tipo de pensamento. E que para superar isso, foi essencial para ela visualizar a sua trajetória até aqui.
“Se eu fosse olhar só o quadro atual eu não teria continuado, porque é muito mais problema do que solução. Mas vendo toda a história do que me encaminhou para poder ter o espaço que eu tenho hoje, para poder ter estudado coluna, aspectos emocionais, isso é o que alimenta o meu otimismo nessa fase. A outra coisa que nutri o meu otimismo é o resultado dos alunos, que nos agradecem por não terem mais dores, que já tinham tentado de várias formas e que não tinham resolvido.
