Já estão sendo implementadas as primeiras ações do Programa de apoio à recuperação do bioma Pantanal – Pró-Pantanal, iniciativa formatada pelo Sebrae nos estados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul com vistas à retomada da economia na região pantaneira por meio de ações de apoio às micro e pequenas empresas no território, duramente atingido pela maior seca dos últimos 50 anos e devastado pelas queimadas de 2020.
O cenário atual requer iniciativas que usem a força do mercado para estimular negócios que contribuam com a regeneração de ecossistemas degenerados, reestruturação das comunidades e fortalecimento da economia, bastante fragilizada.
Com 250 mil km quadrados, sendo 62% em território brasileiro, 20% na Bolívia e 18% no Paraguai, o Pantanal é uma das maiores extensões alagadas contínuas do planeta, localizado no centro da América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Desde o ano 2000 acumula os títulos de Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade, concedidos pela Unesco (Organização nas Nações Unidas para a Educação, Saúde, Ciência e Cultura).
A porção brasileira se estende por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul abrangendo, respectivamente sete e nove municípios, com uma população de 469.466 habitantes nos dois estados, sendo 310.285 em MS e 186.181 em MT. Bolívia e Paraguai têm cada um quatro municípios pantaneiros, com uma população de 57.300 no primeiro e 18.231 no segundo.
Os sete municípios do Pantanal mato-grossense – Barão de Melgaço, Cáceres, Itiquira, Lambari d’Oeste, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Santo Antônio do Leverger – vão receber ações do programa, que foi concebido com base em três eixos integrados considerando a biodiversidade e as economias regenerativa e criativa, com foco na recuperação econômica, oportunidades e prevenção de emergências climáticas, numa atuação transversal com tema sustentabilidade em contribuição aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Os principais ODS envolvidos no programa são de número 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; 12 – Consumo e produção responsáveis; 13 – Ação contra mudança global do clima; e 15 – Vida Terrestre. No entanto, muitas intervenções vão contribuir para alcançar as metas dos 17 ODS pactuados por governos, empresas e sociedade.
Estão previstas ações de curto prazo para apoiar a recuperação da economia local por meio do atendimento aos pequenos negócios, com atividades voltadas para produtividade e sustentabilidade. Os segmentos prioritários são das cadeias de Alimentos e Bebidas (propriedade rural, pequena agroindústria, comércio e serviço) e do Turismo.
No eixo da economia criativa, a intenção é semear iniciativas de apoio às comunidades locais, visando evolução nas práticas empresariais, valorizando a identidade local e agregando valor para a sociedade. Será dada ênfase na gastronomia, artesanato e outras expressões culturais que resgatam a fortalecem a cultura popular e a identidade pantaneira.
Já no eixo da bioeconomia o propósito é contribuir ativamente com as iniciativas de regeneração ambiental e prevenção as queimadas do Pantanal, além de empreendimentos que monetizam os empreendedores e a comunidade a partir dos serviços ambientais prestados pelo bioma.
No Pantanal, os ciclos hidrológicos são fundamentais para manutenção das bacias hidrográficas da região e para manutenção da fauna e da flora que interagem com o bioma e outros ecossistemas relacionados.
Este rico capital natural e os serviços ecossistêmicos prestados pelo bioma Pantanal, como o abastecimento de água, polinização, abrigo de aves e peixes, regulação do clima ou a proteção contra eventos climáticos extremos, são de grande importância, não só para a sociedade brasileira, como também para o equilíbrio ecológico e bem-estar das sociedades em nível local e global.
