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Tendências do turismo e do food service para 2022

Evento organizado pelo Sebrae/MT mostrou as tendências do mercado para cerca de 190 empreendedores mato-grossenses
Por Assessoria de imprensa Sebrae/MT – Larissa Klein
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O mercado de food service e turismo, setores tão fortemente impactados pela pandemia debateram as tendências para este ano no Start Sebrae 2022, evento organizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso (Sebrae/MT) na última quarta-feira (23.02), em Cuiabá. Uma palavra que esteve presente para descrever o momento dos dois setores é o dinamismo.

Exclusivo para empresários, proprietários ou funcionários de microempresa (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), evento presencial reuniu cerca de 190 pessoas num espaço montado seguindo todos os protocolos sanitários, incluindo distanciamento entre os participantes.

Segundo o presidente da consultoria Food Consulting, Sergio Molinari, o empresário de food service precisa cada vez mais ser flexível. “Hoje o estabelecimento não é só mais presencial, é delivery, é retirada, é híbrido. É preciso se adaptar as demandas. Além disso estar atento as ocasiões de consumo, normalmente uma pessoa tem vários hábitos de consumo, seja o almoço durante a semana, o happy hour, a janta, o almoço de fim de semana. E muitos dos empresários se enxergam em apenas uma dessas ocasiões de consumo. Atendendo há apenas uma dessa ocasiões. E com isso se perde a oportunidade de ser rentável. É preciso se preparar para capturar mais ocasiões.  Atuar de várias formas, vender de várias formas, servir a mais de uma ocasião”, afirma.

E um aliado para isso e, uma grande tendência, é o uso das informações que a própria operação oferece. “Por exemplo, um restaurante que vende 150 refeições por dia, ao final do ano ele venderá 4500 refeições. São 4500 informações de consumo. Quem consumiu? Que tipo de produto? A que hora? Qual produto foi vendido junto. Hoje em dia, grande parte das empresas mais estruturadas são cada vez mais fortes em processar as informações que ela produz na própria operação para aprender”, aponta.

Molinari destaca que informações como essas podem ser utilizadas para criar um combo, por exemplo. “Se vejo que um chá é muito vendido com uma salada crio um combo e ofereço um valor diferenciado. Ou vejo que tal produto vende mais no almoço do que no jantar, vou alterar o cardápio. É preciso ser flexível para fazer essas alterações”.

Além disso fazer pesquisa com o consumidor é essencial. O consultor explica que o consumidor está sempre mudando e para acompanhar isso é preciso conhecer ele. “Saber se ele gostou do ambiente, se a temperatura está boa, se a comida chegou no tempo adequado. Procurar entender através do consumidor o que é importante para ele”. Sergio ressalta ainda que o mercado continua a ser o mesmo, porém com a pandemia as empresas precisam ser mais rápidas ao entender as mudanças e se adaptar a elas. “Quem quantifica isso, lê, interpretar e implementa é quem tem sucesso. Tomar decisões baseados em fatos e não no achismo”.

Para Tatiana Lanna, Business Owner de Cloud Kitchen na Liv Up, startup brasileira, outra tendência está ligada à rapidez, à velocidade e à nova forma de comprar e vender. E o delivery, que foi uma solução temporário para muitos na pandemia, hoje é uma realidade. Mas para que a operação seja lucrativa é preciso ter estratégia.

“É preciso ver se realmente faz sentido para sua operação, pois existem custos como entregador, embalagens, canal de venda. Por exemplo qual será meu canal de venda? Aplicativo próprio, telefone, whatsapp, internet, agregador (ifood, 99)? Se for pelo ifood é preciso ranquear bem no aplicativo. Ter bastante avaliação, pontuação boa, utilizar palavras chaves, nada de inventar nome para os produtos. O cliente quer fazer uma busca e já te achar”, conta.

Outro ponto importantíssimo é a embalagem. “Ela precisa aguentar a viagem, manter o calor e ainda ser uma experiência. Ao mesmo tempo que faz sentido na parte financeira. Também é preciso se preocupar com experiência em casa. Vou mandar guardanapo, talher ou vou cobrar a parte? Como vou incentivar meu cliente a me avaliar para eu ranquear bem no aplicativo? Como eu garanto que a experiência foi positiva, o que leva a recompra? São pontos a serem analisados e preparados. O delivery pode ser uma maneira de ampliar sua receita de faturamento ou pode ser uma maneira de estragar sua marca. É preciso ter flexibilidade para saber lidar com todos esses pontos”, afirma.

Para proprietário do Diletto, restaurante de massas de Cuiabá, Renato Romani, é preciso sempre olhar para frente e para as demandas do consumidor. “A pandemia veio e foi preciso se adaptar ao delivery, e no início foi um sucesso, e hoje apesar das vendas não serem tão altas, ela continua sendo extremamente significativa no nosso restaurante. Então é preciso ter flexibilidade para agarrar as oportunidades que aparecem, e é justamente isso que eles estavam destacando”, pontua

TURISMO

A pandemia também criou tendências e acelerou outras no turismo. A transformação digital tem sido observada há alguns anos nas atividades turísticas e, agora, está mais forte do que nunca. Essa movimentação forçou muitas empresas de pequeno e médio porte a investirem em marketing e numa presença digital. Por outro lado, tornou os consumidores mais independentes na busca e agendamento de passagens e quartos de hotel.

“Hoje em dia mais de 90% dos clientes buscam informações online. Por isso é preciso estar atento. As fotos estão bonitas, agradáveis? As informações estão de fácil acesso? Elas transmitem o que eu quero dizer?” aponta a empreendedora, pesquisadora, palestrante e consultora internacional, Jaqueline Gil.

Além disso, hoje é mais importante o conceito do que a estrutura. “Eu consigo adaptar conceito e serviço excelente para uma estrutura de pequeno porte. Mesmo em uma estrutura de custos reduzido, investimento de baixo porte, eu consigo encantar meu cliente, desde que eu entenda quem é o meu cliente ideal para aquela proposta de valor que eu estou oferecendo”, detalha.

Jaqueline destaca que quem acha que vai atender todo mundo se engana. “Qual o nome do cliente ideal, onde mora, quais as dores, quanto ele quer gastar, qual a forma de locomoção dele, o que ele busca na tua proposta de valor, porque ele compra teu produto e como compra. Personificando isso a vida fica mais fácil, tanto do ponto de vista de agregar valor ao que o cliente quer quanto de não sair disparando para todos os lados. Assim perdendo tempo, energia, recursos e não agradando todos os clientes”, argumenta.

As viagens em si também sofreram transformações. Atualmente, quem opta por viajar escolhe rotas mais curtas e, consequentemente, de menor duração para diminuir a exposição ao vírus. “Não temos mais a liberdade de pegar um voo e ir para qualquer país sem passar por uma série de procedimentos e sem a garantia de que você vai conseguir entrar. Por isso o brasileiro está buscando soluções mais próximas geograficamente falando. E ele está vendo online o que quer vivenciar. Aquela experiência que ele viu na Patagônia poderia muito bem ter aqui em Mato Grosso. Ele não quer só o que viu no Instagram, naquela foto maravilhosa, ele quer viver isso de verdade”, aponta.

A consultora destaca ainda que os meios de hospedagem mais buscados no mundo hoje são simples, mas encantadores. “Soluções baseadas no carinho e no cuidado com as pessoas, mais do que grandes empreendimentos. A ideia é simplicidade, autenticidade, com muito carinho, com muito sensorial envolvido, cores, sabores, sons, texturas e exclusividade nos serviços. E a junção disso é o que faz uma experiência incrível. E você pode oferecer isso, é só se estruturar e ter flexibilidade para entender as demandas dos clientes”, diz Jaqueline.

Para a empreendedora de Poconé, da Aymara Lodge, Lisa Canavarros, esse cuidado com a experiência do cliente é essencial. “O novo luxo não é o que a gente conhecia, hoje as pessoas estão buscando autenticidade. E isso é algo que pode ser acessível para todos os tipos de empreendimentos. Desde que a gente faça tudo bem feito e com amor. O cliente vai ficar encantado”, finaliza.

O time de especialistas do Sebrae/MT pode contribuir com consultorias que vão do nível básico ao avançado, em temas como finanças, vendas, marketing digital, visual de loja, entre outros. Informações 0800 570 0800. Ainda quem tiver interesse em consultorias na área de turismo acesse pelo link: https://forms.gle/JYUfTpoRjYrdK1JC9

No setor de Turismo o Start Sebrae 2022 contou com a parceria da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e no setor de Alimentos & Bebidas, o evento teve o apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).