O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), está entre os finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2026, uma das principais iniciativas de reconhecimento de boas práticas no turismo brasileiro. O projeto Etno Expo Internacional, desenvolvido em parceria com comunidades Haliti-Paresi, foi selecionado entre 95 iniciativas inscritas de 18 estados brasileiros.
A seleção reconhece iniciativas pela relevância, impacto e contribuição para um turismo mais responsável, inovador e transformador. Nesse contexto, a Etno Expo Internacional se consolida como uma plataforma permanente de valorização cultural, fortalecimento do protagonismo indígena e desenvolvimento territorial sustentável, construída de forma colaborativa com as comunidades.
Para o diretor técnico do Sebrae/MT, André Schelini, estar entre os finalistas representa o reconhecimento de uma atuação que tem como ponto de partida a valorização das comunidades e das características próprias de cada território.
“A Etno Expo demonstra que é possível estruturar o turismo a partir da valorização das comunidades, do respeito à diversidade cultural e da sustentabilidade, gerando oportunidades para os pequenos negócios e fortalecendo a economia local”, destaca.
Segundo Schelini, um dos diferenciais da iniciativa está em promover o desenvolvimento sem descaracterizar os territórios. “O desenvolvimento que buscamos é aquele que não descaracteriza o território para torná-lo competitivo, mas faz justamente da sua singularidade uma vantagem”, afirma.
Sustentabilidade como estratégia
Na avaliação do gerente da Regional Noroeste do Sebrae/MT, Wlademir Silva, a Etno Expo representa uma estratégia de desenvolvimento que coloca a sustentabilidade como elemento transversal à construção da iniciativa.
“A Etno Expo representa muito mais que um evento, é uma estratégia de valorização dos territórios, das comunidades indígenas, da cultura e das potencialidades locais, tendo a sustentabilidade como princípio transversal de toda essa construção”, explica.
Para Wlademir, o desafio está em pensar a sustentabilidade para além da realização do evento, considerando também a continuidade dos atrativos turísticos, dos pequenos negócios e do próprio território.
“É fundamental pensar não apenas em um evento sustentável, mas também na sustentabilidade de cada atrativo, dos pequenos negócios e do próprio território”, ressalta.
A atuação do Centro Sebrae de Sustentabilidade também integra essa construção, contribuindo para que práticas sustentáveis sejam incorporadas como estratégia de desenvolvimento dos territórios de Mato Grosso.
A presença da Etno Expo entre os finalistas do Prêmio Braztoa reforça esse trabalho e evidencia o potencial de iniciativas construídas com e a partir das comunidades para gerar impactos econômicos, sociais, culturais e ambientais, fortalecendo o turismo como instrumento de desenvolvimento territorial sustentável.
Conhecimento, relacionamento e negócios
Mais do que um evento, a Etno Expo estrutura sua atuação a partir de três pilares permanentes: Conhecimento, Relacionamento e Negócios. Juntos, eles conectam capacitação, articulação e acesso ao mercado, criando oportunidades para o desenvolvimento dos territórios e o fortalecimento das comunidades.
O pilar Conhecimento reúne capacitações, palestras, painéis técnicos, intercâmbio de experiências e ações de formação profissional. Já o Relacionamento promove a integração entre comunidades, poder público, operadores de turismo, academia, investidores e demais parceiros.
O terceiro pilar, Negócios, aproxima os territórios do mercado por meio de rodadas comerciais, visitas técnicas, encontros com operadores e comercialização de experiências turísticas, produtos e artesanato.
A integração dessas frentes transforma o intercâmbio de saberes em oportunidades concretas de desenvolvimento, amplia a visibilidade dos destinos e fortalece a participação das próprias comunidades na organização, na tomada de decisões e na construção do turismo em seus territórios.
Mais do que uma estrutura de evento, os três pilares funcionam como uma metodologia de trabalho que valoriza a autonomia das comunidades e reconhece a cultura como um ativo para o desenvolvimento sustentável. Nesse processo, o protagonismo indígena ocupa lugar central, garantindo que os territórios não sejam apenas apresentados ao mercado, mas também participem ativamente das decisões sobre como suas experiências, produtos e conhecimentos serão valorizados.

